sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Fazem três dias desde que te vi partir, foi em silencio, sem medo como se tirasse um cochilo no fim da tarde. Sua face tranquila após um ultimo pedido me trazia a certeza de que sua dor havia partido e em seu ultimo minuto o seu sorriso era a única coisa que não fazia sentido.
Em meio aquele cenário frio me veio um arrepio e com medo da verdade a vontade de fugir tomava conta de mim. Me vi perdida em meio a uma imensidão de sentimentos e pensamentos que me bombardeavam sem parar, pensando em como eu estava errada esse tempo todo. Já era tarde, tarde para pensar, agir, sonhar, falar... Já era tarde...
Ela veio fria, sem pedir licença e o levou, e ele deitado em seus braços me lançou um ultimo olhar como se me pedisse desculpas.
O céu escureceu e o vento frio cortava minha face enquanto o medo subia pelo meu corpo e me embriagava, fiquei sem saber o que fazer ou falar.
O silencio me persegue junto com outros sentimentos que me tiram a paz.
Ele se foi e não há mais o que fazer, só as poucas lembranças ficaram e essas nem mesmo a morte levará.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Eles me julgam como insensível, dizem que eu não tenho amor e vivem dizendo que estão sofrendo, como se eu também não estivesse.
Eles acham que eu choro porque eu não fui passear no hospital desta vez, mas ele é meu pai e talvez seja ultima chance de fazer algo por ele, embora seja tarde, eu me arrependo por não ter tido chance para dizer que o amo e que o perdoo quando ele ainda estava bem.
Não queria que eles sofressem, muito menos meu pai, não sinto raiva dele, sinto de mim e dos outros que só agora sentem necessidade de ajuda-lo, que não pensaram em fazer antes o que fazem agora, que só criticavam.
Me arrependo por não ter feito o que era certo, por ter sido infantil, por não ter ficado em silencio, por ter chorado nos momentos errados, por ter sido tão egoísta, por não saber amar.
JULIANA DA SILVA CARLOS
Eles acham que eu choro porque eu não fui passear no hospital desta vez, mas ele é meu pai e talvez seja ultima chance de fazer algo por ele, embora seja tarde, eu me arrependo por não ter tido chance para dizer que o amo e que o perdoo quando ele ainda estava bem.
Não queria que eles sofressem, muito menos meu pai, não sinto raiva dele, sinto de mim e dos outros que só agora sentem necessidade de ajuda-lo, que não pensaram em fazer antes o que fazem agora, que só criticavam.
Me arrependo por não ter feito o que era certo, por ter sido infantil, por não ter ficado em silencio, por ter chorado nos momentos errados, por ter sido tão egoísta, por não saber amar.
JULIANA DA SILVA CARLOS
quinta-feira, 3 de março de 2011
Verdade seja dita, São Paulo não é mais a mesma! Ontem conheci um senhor, mora no centro da cidade desde que nasceu, deve ter uns 85 anos, conversávamos sobre a vida e ele começou a me contar histórias de quando era um boêmio. Contou como era a cidade, os bailes, as festas, as bebedeiras, as mulheres...
Depois de me contar suas histórias, me surpreendeu com um discurso que dizia mais ou menos assim:
"Lamento muito por não ter vivido como queria, mas não me arrependo por ter deixado a vida me levar. Já sou velho e sei que poderia ter contribuído muito mais com a formação da minha cidade, ter lutado pelos jovens, contra os preconceitos, contra as drogas, mas tudo o que fiz foi me divertir e esperar o tempo consumir o meu corpo como ferrugem consome o ferro.
Os jovens de hoje fazem exatamente o que eu fiz e pior, são consumistas, não pensam nos outros, não se valorizam, não apóiam o crescimento da comunidade e se duvidar não sabem nem o significa da palavra cidadania.
Os tempos mudaram, as pessoas mudaram, a cidade mudou, tudo muda e infelizmente as mudanças que eu consegui ver foram para a pior.
Faço-lhe um ultimo pedido, faça o que poder para ajudar a sua comunidade mas não pense em mudar o mundo, não agora, comece tentando mudar sua rua, depois o quarteirão, depois o bairro e o resto vira por consequência."
Após o discurso o senhor se despediu e partiu, e eu fiquei pensando no que ele havia dito e no que eu estou fazendo para o bem da sociedade e se eu estou contribuindo para que as mudanças aconteçam.
Ser cidadão não é só cumprir com os direitos e deveres, é também ir além das próprias expectativas e agir para o bem comum.
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